A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

terça-feira, 21 de novembro de 2017

1717-2017: OS TREZENTOS ANOS DE MAFRA

Foto de Biblioteca Nacional de Portugal.

Foto de Biblioteca Nacional de Portugal.

Foto de Biblioteca Nacional de Portugal.

Foto de Nova Portugalidade.

Um projecto que excedia a grandeza das proporções daquela montanha de pedra: a ambição de um soberano que o papado elevou a Majestade Fidelíssima, emulando os Reis de Espanha e de França, e a manifestação programática de quem reivindicava para Portugal o papel de potência católica de primeira grandeza com mandato missionário na Ásia e na América.

O Convento de Mafra nunca foi compreendido pela historiografia portuguesa dos séculos XIX e XX. Se o reduzirmos à expressão da caricatura, escoadouro do ouro e de energia gratuita, e se o tentarmos compreender nas coordenadas do Memorial, é certo que canhestramente o situaremos como manifestação de megalomania e desperdício. Porém, em Mafra está a manifestação de uma potência e influência que Portugal não mais voltou a ter, de uma segurança psicológica e até de um toque de boa altivez que tanta falta faz na relação dos Estados com o mundo exterior.

É sabido que desde o século XIX se montou intensa campanha difamatória contra a dinastia de Bragança e contra a nobreza supostamente decaída a partir "absolutismo" do período joanino. Em Rebelo da Silva (A Última Corrida de Touros Reais em Salvaterra, 1848; A Mocidade de D. João V, 1852-53), em Oliveira Martins (História de Portugal e Portugal Contemporâneo), em Junqueiro (Pátria, 1896), em Júlio Dantas (Os inquéritos médicos às genealogias reais portuguesas - Avis e Bragança, 1909) e até na sempre frágil preparação historiográfica de Saramago perpassam a "maldição dos Bragança", a "degenerescência" da estirpe - beata, casmurra, idiota, caprichosa, reaccionária, decrépita, sifilítica, vítima da consanguinidade, violenta ou afásica - e a sua responsabilidade no Finis Patriae.

Sim, dizem as mentes anacrónicas, "Dom João V devia ter investido em manufacturas, em vez de pedras e religião". O lugar-comum não resiste à mais leve e honesta prova. Dom João V investiu muito em cultura, em conhecimento e em ciência. Não, Portugal de D. João V não era, como diz a historiografia oitocentista, um país bisonho, um "reino cadaveroso", "supersticioso" e fora das grandes correntes do pensamento ocidental do tempo. Para contrariar tais estórias, leia-se a obra de Henrique Leitão, que vai ano após ano lapidando as fanadas mentiras que se foram acastelando desde há mais de século e meio sobre aquele monarca a quem Lisboa deveu dois observatórios astronómicos e a mais persistente política de mecenato cultural, tecnológico e científico da nossa história. Portugal era, ainda no século XVIII e graças à Companhia de Jesus - um verdadeira internacional de conhecimento - um país tocado pelas musas do engenho, do experimentalismo e da curiosidade.

MCB




Em mais um centenário de Mafra, vale a pena ouvir José Hermano Saraiva sobre o grande palácio-convento. A imensa obra, manifestação de um Portugal que exigia ser reconhecido como grande poder europeu, marcou no passado dia 17 os trezentos anos do início da sua construção.

140 ANOS DA TRAVESSIA DE SERPA PINTO

Foto de Nova Portugalidade.

"(...) senti uma pungente mágoa, uma indefinível saudade, uma dor profunda, que me produziram como que uma embriaguez, e confesso que não tenho muito a consciência de ter deixado Benguela.
A bandeira das quinas estava desenrolada e afastava-se da cidade ao passo cadenciado da caravana; segui-a." 

Assim escreveu Serpa Pinto, no segundo capítulo do primeiro volume do seu livro "Como eu atravessei a África". Faz hoje (12/11/2017) 140 anos que partiu de Benguela a expedição por ele guiada e idealizada, e que só chegaria à outra ponta da costa africana precisamente 15 meses após a partida; 15 meses de sacrifícios hercúleos e lutas contra as vicissitudes dos sertões africanos.
Faça-se justiça à memória dos heróis nacionais!


"... OS URUGUAIOS FALAM PORTUNHOL, MAS QUEREMOS QUE FALEM PORTUGUÊS"


"Nós dizemos que os uruguaios falam portunhol, mas queremos que falem português."

De visita a Portugal, a Ministra da Educação e da Cultura do Uruguai recorda, em entrevista ao Diário de Notícias, os solidíssimos laços que unem aquele país sul-americano à Portugalidade. A entrevista teria sido mais interesse se tivesse fugido - como, lamentavelmente, não fugiu - a assuntos internos da vida uruguaia que relevância nenhuma têm para o leitor português ou da Portugalidade; contudo, não deixa de ter a virtude de reiterar a solidez de uma relação antiga e que faz do Uruguai parte de pleno direito do mundo português. O país foi, afinal, parte de Portugal enquanto Província Cisplatina entre 1817 e 1822, mantendo-se brasileiro até 1828. Parcela dele (a Colónia do Sacramento) havia, ainda, sido constante motivo de distúrbio e hostilidade nas relações entre Portugal e a Espanha. Muito bom é, pois, que se recorde que o Uruguai é tanto parcela da Hispanidade como da Portugalidade, e que deve afirmar-se como ponte entre as duas.




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

AS ORIGENS DOS PORTUGUESES E DOS POVOS DA PORTUGALIDADE

Foto de Nova Portugalidade.

Culturalmente, os portugueses são um povo que resulta da descendência de vários outros povos, cruzados entre si, que habitaram a Península durante diferentes épocas. Por vezes, achamos que somos única e exclusivamente descendentes dos Lusitanos, povo "bárbaro" que se dedicava principalmente à pastorícia, caça e recoleção, e cuja religião era animista. Porém, nós portugueses somos essencialmente sucessores culturais de dois povos: dos Romanos e dos Árabes.

Os Romanos foram expandindo progressivamente o seu domínio da Península Ibérica desde o século IV até ao I a.C., designando-a de Hispânia. Dividiram-na em várias províncias, habitadas por povos culturalmente diferentes. Cá, travaram fortes batalhas contra os Lusitanos, que, astutos, mostraram-se invencíveis até à traição por um dos companheiros de Viriato, segundo reza a tradição. Com a sua força, inteligência, método e organização, os Romanos construíram grandes cidades, templos, hipódromos, portos de comércio, mercados, desenvolvendo a agricultura, fábricas, a pesca, a salga e todo o tipo de conservação de alimentos com vista à exportação. Deixaram-nos parte da dieta, uma vez que a produção, cultivo e consequente consumo da parreira aumentou e perdurou até à atualidade, sendo o vinho a bebida fundamental que atravessou os séculos da nossa história. A oliveira dava a gordura natural indispensável, a seara o trigo, e por consequência o pão, o principal destes três alimentos. Esta trilogia alimentar constitui os três elementos sagrados na devoção: o vinho - Sangue do Senhor, o Pão - Corpo do Senhor, e o azeite - matéria dos santos óleos usados nas unções sacramentais. Herdámos então essencialmente três referências que hoje nos caracterizam. Por fim, herança egrégia, herdámos o desejo, a vontade e o talento romanos da expansão, e força para a conquista de um povo descobridor e aventureiro.

A invasão árabe da Península deu-se no séc. VIII, altura em que o atual território português estava sob ocupação visigótica, que durava desde a queda do Império Romano do Ocidente em 476. Os Árabes difundiram a sua cultura, dogmas e fé. Deles herdámos muitas tradições alimentares, mais visíveis no Algarve e no Alentejo. Trouxeram-nos o açúcar, e ensinaram-nos a "fritar". Não consumiam porco, e como o álcool só foi proibido no Islão mais tarde, ensinaram-nos a destilar. Com eles aprendemos novas técnicas de cultivo, mais eficazes, e de pesca, tal como a Almadrava, que esteve em prática, igual há 1300 anos, até à década de 70 do século passado. Na música, temos influência mourisca no Fado e no Cante. Lançaram os maometanos a semente que haveria de crescer num povo de mercadores e de grandes marinheiros comerciais.

Por fim, a nossa língua, de linhagem latina, em que praticamente toda a gramática está, ou estava, de acordo com os pilares da língua romana, possui muitas palavras também de origem árabe.

O "ser português" revê-se neste “modus vivendi” como o legado de um conjunto de culturas, com uma matriz europeia e hispânica indiscutível. Com a Reconquista, foi criada a identidade de uma pequena zona da Ibéria, que se estendeu até ao Sul, e, reproduzindo toda esta mistura de culturas, foi enaltecida a identidade portuguesa. A partir de quatrocentos, propagámos esta identidade lusa pelo mundo inteiro, construindo uma certa ideia de Portugal à volta do planeta, cujas raízes e identidade são únicas, porque não são só europeias, mas o resultado deste processo histórico que o local onde hoje se ergue Portugal sofreu. Essa certa ideia de Portugal espalhado pelos quatro cantos do mundo, com uma marca identitária única é aquilo a que se chama Portugalidade - e é isso que defendemos e que queremos preservar. 

Tomás Severino Bravo

Na imagem, a vila de Mértola, que foi a "Mirtylis Iulia" romana, e a "Mārtulah" islâmica. A presença das culturas que nos deram origem está aqui, como em tantos casos, bem presente.


A SACRA ORDEM RELIGIOSA E MILITAR DOS SANTOS MAURÍCIO E LÁZARO

Foto de Ordem Santos Maurício e Lázaro em Portugal e Brasil.

Lançamento do livro: 

A Sacra Ordem Religiosa e Militar dos Santos Maurício e Lázaro em Portugal e Brasil (Casa Real de Saboia)

Terça-feira, 12 de Dezembro às 18 Horas

PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA


Foto de Paulo Falcão Tavares.


O BRAVO SIPAIO(1) LANDIM, TROPA DE CHOQUE DO EXÉRCITO AFRICANO PORTUGUÊS

Foto de Nova Portugalidade.

Garbosos, disciplinados e ferozes em combate, os sipaios landins foram durante décadas a espinha dorsal do exército da África Oriental portuguesa, prestando serviço nas terras do Índico português, mas igualmente nas parcelas asiáticas do Império. Os landins eram os vátuas, outrora destemidos guerreiros que serviram Gungunhana com lealdade no decurso das guerras contra o exército português. Após a rendição do grande chefe negro, os guerreiros landins prestaram voto de lealdade ao Rei de Portugal, constituindo-se em unidades de infantaria com funções de policiamento.

No decurso da Grande Guerra, lutaram ombro a ombro com as unidades do corpo expedicionário enviado a Moçambique para combater os alemães no norte do território e no Tanganica, então colónia alemã, dando provas de grande coragem e destemor. Depois, os landins passaram a polícias adstritos à rede administrativa colonial e a guarda dos mais importantes quadros coloniais, nomeadamente os governadores de distrito e o Governador-Geral de Moçambique.
MCB

(1) Sipaio (ou cipaio) vem de sepoy, palavra oriunda do persa sepāhī que significa soldado de infantaria.
Fotos: Sipaio landim. NP agradece a António Botelho de Mello.

Foto de Nova Portugalidade.

Foto de Nova Portugalidade.

domingo, 19 de novembro de 2017

TV MONARQUIA: FESTA DE SÃO NUNO DE SANTA MARIA EM OURÉM



SÃO NUNO DE SANTA MARIA E FÁTIMA



Foto de Real Confraria do Santo Condestável S. Frei Nuno Stª Maria Álvares Pereira.

A CIÊNCIA NO BRASIL

Foto de Nova Portugalidade.

A Nova Portugalidade já se encarregou de destruir a calúnia, que muitos propalam por ignorância, ou má-fé, de que no Brasil não se instituíram estudos superiores antes da independência. Demonstrou-se inequivocamente que no Estado do Brasil se ministraram, desde cedo, cursos superiores de Letras e de Ciências, e que o florescimento da alta cultura naquela parte de Portugal não se iniciou na data tardia que, frequentemente, negligenciando ou distorcendo a evidência histórica, se procura fixar em cânone.

O desenvolvimento científico cultivado no Brasil fez-se não somente por meio da oferta de estudos superiores mas também com recurso ao modelo das academias científicas que proliferavam na Europa desde o século dezassete. Os caluniadores de Portugal, que desejam cristalizar a falsa imagem de um império promotor do atraso das suas possessões ultramarinas, esquecem-se invariavelmente de mencionar o facto revelador de a primeira academia científica portuguesa ter sido fundada no Brasil. A Academia das Ciências e da História Natural do Rio de Janeiro iniciou os seus trabalhos em 1772, com quase uma década de avanço sobre a Academia de Ciências de Lisboa, que só principiaria a sua actividade em 1780, e décadas antes do desembarque da Corte portuguesa.

Umbilicalmente ligada à Academia Real das Ciências da Suécia, à qual se afiliavam nomes tão sonantes na história da ciência natural como Lineu, a Academia do Rio de Janeiro formou-se com o propósito de estudar as riquíssimas fauna e flora brasileiras, para com os progressos destas investigações auxiliar o refinamento da agricultura e da medicina. Os académicos reuniam-se regularmente na sede do vice-reinado do Brasil, hoje Paço Imperial. As personalidades mais destacadas da ciência portuguesa da época, como Ribeiro Sanches, colaboraram com o empreendimento investigativo. A Academia instruiu uma selecta geração de homens da ciência, treinados pela observação, pela experimentação e pelo debate e divulgou os seus achados em folhas de imprensa acolhidas com grande entusiasmo. Já não era a Europa que ensinava o Brasil, mas o Brasil que ensinava a Europa, facultando-lhe conhecimentos utilíssimos para todos os domínios da ciência.

A Academia de Ciências e da História Natural do Rio de Janeiro, sendo a primeira academia científica, não foi a primeira academia de estudos superiores no Brasil, tendo sido precedida pela Academia Brasílica dos Esquecidos, surgida em 1724 com o fito de apoiar o trabalho da Academia Real de História Portuguesa. O contributo da Academia de Ciências seria continuado pela Sociedade Literária do Rio de Janeiro, que igualmente se ocupou das questões naturais. A experiência e saber acumulados seriam continuados também pelos muitos brasileiros preparados na Academia que viriam a ensinar nos cursos da Universidade de Coimbra.

Hugo Dantas

sábado, 18 de novembro de 2017

TV MONARQUIA: 28º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DO PORTO





PEDIR PERDÃO AO POVO DE TIMOR

Foto de Nova Portugalidade.

26 anos após o massacre de Santa Cruz, choramos os mortos e pensamos o futuro

Marcaram-se esta semana (12/11/2017) 26 anos do massacre de Santa Cruz, ocorrido a 12 de Novembro de 1991 no cemitério de Santa Cruz, em Díli. Acontecimento muito doloroso, o crime de Novembro de 1991 excitou paixões, causou turbulência internacional e ganhou para a causa de Timor o protagonismo e a capacidade de convocação de que esta precisou para terminar triunfante. Os trezentos mártires daquele dia caíram verdadeiramente por Timor e pela liberdade do seu povo. Sem eles e seu supremo sacrifício, talvez não se houvessem desfeitos as amarras e a ilha permanecesse hoje sob a ocupação brutal do invasor indonésio.

O desastre - desastre causado, desejado, conscientemente imposto ao povo timorense pelo exército indonésio - ocorreu em período de tensão no antigo, e ainda reconhecido internacionalmente como tal, Timor português. No mês anterior, uma delegação do Parlamento português fora cancelada por Lisboa em resposta às restrições, muitas vezes arbitrárias e ilegítimas, que procurava impor-lhe o governo indonésio. Extremou-se novamente a repressão e, no dia 28, invadiram as autoridades de ocupação uma igreja - a de Motael - onde se juntavam partidários da libertação. Nos confrontos que se seguiram, caíram mortos dois indivíduos. Um deles, Sebastião Gomes, era combatente do RENETIL, a resistência timorense.

O funeral de Gomes transformou-se rapidamente em grande demonstração de patriotismo, coragem e resistência pelo povo timorense. Nele participaram milhares infindos de civis. Avançaram de semblante carregado, cólera no peito e estóica calma nas faces. Não houve, de acordo com os jornalistas estrangeiros que testemunharam as brutalidades, violências ou excessos da parte dos timorenses. Uns limitaram-se a carregar bandeiras suas; houve, também, palavras de ordem. Alteraram-se as coisas quando a tropa indonésia avançou sobre alguns timorenses que carregavam o estandarte timorense. Geraram-se confrontos entre os soldados - armados, bem treinados, preparados para a luta - e os populares. O governo de ocupação ordenou depois que se enviassem reforços para o local e que se fizesse fogo livre sobre a multidão. Morreram trezentos timorenses. O regime de Jacarta procuraria furtar-se às responsabilidades, culpando pelo sucedido ou um "mal entendido" ou a prática de violências pelos civis timorenses. Deu-se mal, pois tudo fora registado pela lente de Max Stahl, jornalista britânico que recolheu as imagens filmadas, as escondeu e fez chegar à Austrália. Já da disposição dos indonésios para o uso de força extrema, tratou o próprio Try Sutrisno, comandante-em-chefe das forças indonésias, de esclarecer o mundo em instante de descuido. Disse: "The army cannot be underestimated. Finally we had to shoot them. Delinquents like these agitators must be shot, and they will be."

Santa Cruz é símbolo de uma era triste para Timor. Convirá reconhecer, quatro décadas após o corte entre Timor e Portugal, que tanto sofrimento - décadas de ocupação, de exploração, de morte, de guerra - poderia ter sido evitado. Aquelas não foram dores com sentido; ou antes, não tinham de ter existido. Erros vários - a fuga miserável por Lisboa, o comportamento indigno do exército português em 1975, a insensata declaração unilateral de independência pela FRETILIN - ofereceram ao imperialismo indonésio oportunidade que este não deixou de utilizar. Responsabilidade pesada, pois, foi a de Portugal na tempestade que se abateu sobre os timorenses. Essa culpa terrível, e jamais expiada, deve começar por exigir um sincero pedido de perdão por Lisboa. Depois, deve propor um futuro liberto dos erros do passado - e não pode haver dúvida que o maior desses erros foi a separação entre Portugal e Timor.

Portugueses e timorenses são sangue do mesmo sangue e carne da mesma carne. São, assim amassados por séculos de convivência comum, formação comum e construção comum, um só povo: o timorense é um português da sua ilha, e continua a ser essa portugalidade o único motivo da sua identidade distinta. Sem ela, não há Timor. É assim na cultura e no sentimento, mas também, como provam as últimas quatro décadas, na política. Vinte e seis anos após Santa Cruz, importa que timorenses e portugueses compreendam o alto preço que houve a pagar pelo artificial, e tão danoso, divórcio de 1975. Ora, se tanto sangue e tantas lágrimas tiveram de pagar esse equívoco, desfaça-se o equívoco e retorne-se à fraternidade que nos é natural. Frente aos abusos da Indonésia, à recordação das brutalidades da ocupação, às ambições da Austrália, aos apetites de um e outro pelas águas e recursos de Timor, respondam timorenses e portugueses em uníssono com unidade, amizade e colaboração. Que bom seria se, de tantos anos tristes e do sangue de tantos mártires, pudesse a construir-se o que pede a Nova Portugalidade: uma federação entre Portugal e Timor, feita de partes perfeitamente iguais nos direitos e nas dignidades, que abarque ambos e todas as outras portugalidades insulares do mundo.

RPB



DESMITIFICANDO A SUPOSTA BRUTALIDADE DA INQUISIÇÃO: O CASO GOÊS

Foto de Nova Portugalidade.

Tema recorrente na campanha difamatória que se tem empreendido contra Portugal e a sua obra imperial é, desde há muito, a actuação da Inquisição. Esse tribunal, presente em Portugal desde 1536, foi alvo constante da imaginação - isto é, da deturpação aberta, comprometida e malsã - da propaganda protestante na sua guerra de palavras aos impérios católicos da Península; sossegadas aquelas vozes após Vestefália, em 1648, o Santo Ofício fez-se alvo preferencial dos filósofos das Luzes e, logo, do campo liberal na sua luta de morte com as antigas monarquias da Ibéria. O Tribunal da Inquisição passaria depois a ilustrar o imaginado ambiente obscuro, tirânico, brutal e irracional do Portugal antigo, mantendo-se essa a leitura ortodoxa até à actualidade.

Da Inquisição portuguesa, a de Goa distingue-se, na leitura caricatural que dela se faz ordinariamente, pela brutalidade particular dos seus meios e severidade da sua acção. O braço goês do Tribunal servia - e vigiava, julgava e punia - por todo o Estado da Índia, região onde o cristianismo era fé recém-chegada e, por isso, onde era grande o número de conversos do judaísmo, do hinduísmo e de seitas cristãs tidas por Roma como heréticas. Voltaire, grande inimigo do catolicismo, comentaria asperamente a Inquisição de Goa, dizendo-a "contrária à humanidade e ao comércio" e concluindo que "se os monges portugueses [que lá serviam] pensam que os nativos servem o diabo, a verdade é que são eles que o fazem". Como Voltaire, importante número de outros comentadores e estudiosos se dedicaria à exploração, descrição e mensuração dos horrores que imputavam ao Tribunal, lamentando os "Autos-de-fé", chorando as vítimas do obscurantismo e da intolerância e imaginando torturas, massacres e repressões.

Ora, será inegável que foi política portuguesa a conversão à fé católica dos povos que nela se integravam ou se lhe encontravam submetidos, satisfazendo a evangelização o propósito duplo de cimentar fidelidades políticas e de conquistar almas para a Igreja de Roma. Mas é embuste absurdo e de fácil repudiação a tese de que a Inquisição de Goa impôs à Ásia portuguesa duro e longo reinado de terror. Estudiosos notáveis como Jean Dumont denotam, entre outros aspectos, serem geralmente de morfologia flamenga ou renana os edifícios que decoram as gravuras de Autos-de-fé, o que atesta terem elas sido produzidas em regiões de forte infiltração protestante e de lá exportados para toda a Europa. Exageração inconsciente, pois, ou propaganda pensada é o que serão, no essencial, as imagens utilizadas para ilustrar o labor inquisitorial.

A dura aritmética constituirá, no que à vida da Inquisição diz respeito - e aqui focamo-nos meramente no caso goês -, prova mais terminante ainda. Na sua impressionante História da Igreja em Portugal, oferece-nos o Professor Fortunato de Almeida relato de um total de 71 Autos-de-fé em Goa entre 1600 e e 1773. Nesses setenta e um actos, 4167 - é dizer, 24 por ano - indivíduos terão sofrido algum tipo de condenação, dos quais 4046 teriam apagado os seus crimes com actos vários de penitência como orações, jejuns ou esmolas; condenados à pena máxima e à fogueira teriam sido apenas 57 indivíduos no mesmo período de 173 anos, o que dará uma execução a cada triénio. Para um Tribunal tão vilipendiado, acusado de abusos tão grandes e extensos quanto foi e é ainda o da Inquisição, parecerá que os padres eram surpreendentemente avessos aos derramamento de sangue.

Rafael Pinto Borges

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

PELO SÃO MARTINHO, O NOSSO GALEÃO SÃO MARTINHO

Foto de Nova Portugalidade.

Quarenta e oito peças de artilharia, cinquenta e cinco metros de comprimento, sólida construção portuguesa e tripulação boa e experiente: eis o que fazia as virtudes do famoso galeão São Martinho, nau capitânia do Duque de Medina-Sidónia na malograda investida da Invencível Armada contra a Inglaterra. Quando Portugal e a Espanha se uniram sob a mesma coroa, em 1580, acabava de ser lançado ao Tejo o São Martinho. Cinco anos mais tarde, com o rebentamento da guerra entre a Monarquia Católica e Isabel de Inglaterra, o galeão rápido se impôs, pela qualidade da sua construção e a força do seu armamento, às restantes naves de Filipe I de Portugal e II de Castela. Medina-Sidónia, a quem o Rei havia confiado a conquista da Inglaterra, tomou-o como capitânia da Grande e Felicíssima Armada, a frota que hoje conhecemos como Armada Invencível e que os ingleses recordam como "the Spanish Armada".

À cabeça da Armada, o São Martinho zarpou de Lisboa em 28 de Maio de 1588. As desventuras da frota não são tema para nós, e o fim trágico que veio a ter não deixará de ser conhecido dos leitores. Interessa-nos, apenas, o São Martinho e os detalhes da sua expedição a norte. Haverá, quanto a isso, que notar a prestação positiva do vaso e sua tripulação em condições que, como sabemos, foram adversas e de pesadas consequências para a Monarquia Ibérica. O São Martinho participou no resgate do São João, também ele galeão português e também ele comandado por capitão castelhano, defrontando e batendo sozinho uma força de doze galeões ingleses. Vitorioso, regressou com o São João à formação, e com ele regressou à Península. Se lhe chamam San Martín, confundindo a Monarquia dos Habsburgo com Castela, fazem, pois, mal. Era São Martinho, de bandeira portuguesa, construção portuguesa, artilharia portuguesa e tripulação portuguesa. Tivesse o comando sido português também e talvez não tivesse sido vencida a caricatamente chamada Invencível Armada.

Rafael Pinto Borges


VASCO DA GAMA: O HOMEM

Foto de Nova Portugalidade.

Apesar de ser conhecido essencialmente pela viagem de descobrimento do caminho marítimo para a Índia em 1498, importa conhecer a vida do homem que muitas vezes se obscurece atrás do brilho dessa épica demanda. 

Vasco da Gama terá nascido na vila de Sines, muito provavelmente no ano de 1469. O seu pai pertencia ao círculo da Casa Ducal de Viseu e detinha um lugar na Ordem de Santiago, além de ter ocupado também o cargo de alcaide-mor e capitão da vila de Sines. A sua mãe, Isabel de Sodré, provinha de uma família com uma longa tradição de ligação com a Ordem de Cristo.

Escasseiam elementos acerca dos primeiros anos da vida de Vasco da Gama. Sabe-se que em inícios da década de 1490 era já cavaleiro da Ordem de Santiago e fidalgo pertencente à Casa Real. O primeiro momento de relevo assinalável data de 1492, quando, por ordem do “Príncipe Perfeito”, Vasco chefiou a apreensão dos navios franceses nos portos de Setúbal e do Algarve, como consequência da tomada de um navio português por forças francesas.

Não são inteiramente claras as razões que levaram D. Manuel I a escolher Vasco da Gama como capitão-mor da armada a ser enviada à Índia. A cronística coeva não permite compreender o porquê da escolha de um fidalgo aparentemente pouco conhecido para chefiar uma expedição de tal magnitude para o projecto imperial manuelino, limitando-se a apresentar os aspectos óbvios: segundo os cronistas, Vasco da Gama era um jovem que poderia perfeitamente enfrentar os perigos daquela viagem. O que hoje se admite é que esta escolha estaria relacionada com negociações levadas a cabo entre as diferentes facções políticas presentes na Corte, algumas das quais opostas ao envio da armada ao Índico, bem como ao facto do Rei português pretender não tanto um marinheiro experiente, mas sim um diplomata que estabelecesse relações com o chefe de Calecute.

Independentemente dos motivos concretos, Vasco da Gama foi escolhido para capitanear a armada que zarpou de Lisboa a 8 de Julho de 1497 e chegou a Calecute a 18 de Maio de 1498. A viagem de regresso seria recheada de perigos e contratempos, mas, finalmente, a frota abarcou em Lisboa entre Julho e Agosto de 1499.


D. Manuel ficou entusiasmadíssimo ao saber do sucesso da viagem, e depressa outourgou mercês a Vasco da Gama. Assim, este tomou lugar no Conselho Real, foram-lhe concedidos os títulos de Dom e de Almirante da Índia, e foi-lhe atribuída ainda a prerrogativa de enviar anualmente à Índia 200 cruzados para comércio próprio livre de tributação. Por alvará de Dezembro de 1499 foi-lhe igualmente concedida a posse hereditária da vila de Sines e dos seus rendimentos, o que levou a uma disputa com a Ordem de Santiago que detinha a posse da dita vila. Em 1501, Vasco da Gama desposou D. Catarina de Ataíde, ligando-se por esta via a duas importantes famílias do Reino, os Ataídes e os Almeidas.

Durante os anos que se seguiram à viagem inicial foram enviadas duas outras expedições à Índia, em 1500 e em 1501, comandadas respectivamente por Pedro Alvares Cabral e João da Nova. A respeito darmada organizada em 1502, os cronistas coevos referem que o comando desta fora inicialmente dado a Pedro Álvares Cabral, acabando, todavia, por lhe ser retirado e entregue a Vasco da Gama.

Entrando de regresso em Lisboa em 1503, Vasco da Gama foi numa fase inicial principescamente recebido, em virtude dos seus sucessos nas negociações com a Índia. O ouro pago em tributo pelo governante de Quíloa foi entregue a D. Manuel, tendo o Almirante da Índia sido agraciado com novas mercês. Contudo, as relações de Vasco da Gama com a Coroa parecem ter rapidamente perdido a harmonia. Têm sido apontados como factores determinantes deste afastamento os relatos que se foram conhecendo da excessiva violência empregada pelo Almirante na sua viagem de 1502, os rumores das riquezas que acumulara e, sobretudo, o descontentamento da Coroa com o comportamento de Vicente Sodré que, ficando na Índia com o objectivo de defender os interesses portugueses, naufragara perto do Mar Vermelho, aonde se dirigira numa tentativa infrutífera de capturar embarcações muçulmanas, permitindo o ataque das forças do Samorim de Calecute à feitoria portuguesa de Cochim.

Para mais a disputa com a Ordem de Santiago pela posse de Sines arrastou-se, acabando Vasco da Gama por ser intimado pelo Rei a abandonar a vila. O Almirante recolheu-se primeiramente a Évora e mais tarde a Niza e Lisboa, de onde procurou reaproximar-se de D. Manuel e consolidar a sua posição social. Por volta de 1518, esse esforço levou-o a peticionar junto do Rei para que lhe fosse concedido o título nobiliárquico de Conde, pedindo autorização para deixar o Reino caso tal não lhe fosse concedido. No ano seguinte, Vasco da Gama adquiriu do duque de Bragança as terras da Vidigueira e Vila de Frades sendo que, após esta doação, em Dezembro de 1519, D. Manuel nomeou-o Conde da Vidigueira.

O percurso de ascensão social de Vasco da Gama atingiu assim a sua cúspide e a sua importância no panorama político do Reino ganhou novo fôlego com a subida ao trono de D. João III, em 1521. Três anos mais tarde Vasco da Gama rumava novamente à Índia, desta vez para assumir o governo do Estado da Índia e o título de vice-Rei.

Chegado a Cochim, Vasco da Gama adoeceu e acabou por falecer nesta cidade na véspera de natal de 1524.O seu nome só seria realmente propagado com a elaboração dos "Lusíadas" de Camões, obra que lhe deu um destaque e notoriedade que perduraram pelos séculos e se mantêm até hoje.

Miguel Martins

A PRECOCE CONSCIÊNCIA IDENTITÁRIA PORTUGUESA

Foto de Nova Portugalidade.

Muito historiadores defendem a tese de que o nacionalismo português só surgiu no tardio século XIX tal como no resto da Europa, deturpando uma realidade histórica que datava de há séculos e que por diversas vezes se havia manifestado, ao mesmo tempo que negligenciam a especificidade do caso português. Acantonado a uma ponta da Europa, Portugal cedo desenvolveu uma consciência própria, tributária sobretudo das suas condições geográficas. Com as fronteiras estabilizadas desde o Tratado de Alcañises em 1297, no reinado de D. Dinis, o território luso conseguiu definir-se como um espaço com uma língua comum e que, pela acção de reforço do poder régio dos nossos monarcas medievais, teve a capacidade de se articular num todo minimamente coeso, pelo menos do ponto de vista identitário.

Pode-se afirmar que o episódio de Aljubarrota foi a primeira e inequívoca expressão da consciência nacional portuguesa. Perante a crise de sucessão que se seguiu à morte do Rei D. Fernando em 1383, o povo de Lisboa depressa aclamou D. João, o Mestre de Avis, como regedor e defensor do Reino, ao mesmo tempo que rejeitava por completo a ideia de ser governado por um Rei castelhano. Este sentimento de consciência identitária perante o estrangeiro seria a força motriz por detrás da feroz resistência perante a invasão que o Rei de Castela moveu a Portugal, como bem demonstrou o cerco a Lisboa em 1384. A vitória portuguesa era mais do que improvável, mas, com um misto de génio militar de Nuno Álvares Pereira e o ânimo de defender a terra que era a sua, os portugueses conseguiram triunfar sobre todas as adversidades. Só um forte sentimento de pertença a um grupo nacional poderia alimentar e propalar um movimento de resistência como foi o de 1383-85, e que pode ser explicado pelos já mais de duzentos anos de existência do Reino nessa altura.

Outro momento da História de Portugal marcante do ponto de vista da defesa da identidade lusa foi o da Restauração de 1640. Mesmo estando já sob dominação da Monarquia dos Habsburgo espanhóis há sessenta anos, os abusos constantes que esta fez contra o Reino vizinho fez ressurgir de novo a ideia de um Portugal independente, como sempre o fora ao longo da sua História e que nunca se havia perdido. Aquando da aclamação de D. João IV, não houve um único foco de resistência quer no Portugal europeu quer no seu Império global. Todas as praças espalhadas ao redor do Mundo, com a excepção do pequeno enclave de Ceuta, aceitaram prontamente, de um momento para o outro, a ideia da Portugalidade independente e soberana na qual se reconheciam. Ao passo que o aumento de cinco por cento dos impostos nos momentos pré-Restauração despoletaram grandes protestos, o posterior aumento de dez por cento promovido pelo governo joanino não motivou resistências de maior, já que era para servir a causa nacional e o financiamento da guerra contra a Espanha, que não aceitava a nova situação de livre vontade. De novo contra todas as probabilidades, Portugal conseguiu vencer, não sem grandes sacrifícios e sangrentas batalhas, cujo esforço colossal só encontra explicação num forte sentimento identitário português quer na Europa, que no próprio Brasil, onde as forças coloniais se juntaram para expulsar de vez os Holandeses do seu território e estabelecer em pleno a soberania portuguesa.

Assim sendo, será que podemos verdadeiramente aceitar a ideia de que o nacionalismo português só surgiu no século XIX? É difícil.

Miguel Martins

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

CERIMÓNIA DA BÊNÇÃO DO QUADRO DA BEATA MARIA CRISTINA DE SABÓIA EM PALERMO

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La Real Compagnia della Beata Maria Cristina di Savoia Regina delle Due Sicilie è lieta di invitare confratelli, amici e simpatizzanti alla cerimonia di benedizione della sacra effige della sua Patrona realizzata dal maestro Elio Corrao che si terrà il 17 novembre 2017 alle 15.30 presso la Cappella di Maria Santissima della Soledad in piazza della Vittoria, 10 a Palermo.

La cerimonia avverrà alla presenza di S.A.R. Dom Duarte di Braganza, Duca di Braganza, Capo della Real Casa di Portogallo, accompagnato da S.A.R. Donna Isabel di Braganza (in foto), Duchessa di Braganza, e da S.A.R. Donna Maria Francisca di Braganza, Infanta di Portogallo; da S.A.I.R. l’Arciduchessa Monika von Habsburg, Principessa d’Ungheria, Duchessa di Santangelo, S.A.I.R. l’Arciduca Josef Karl von Habsburg, Principe d’Ungheria; da S.A.R. il Principe Yuhi VI, Capo della Real Casa del Rwanda; e da S.A.R. il Principe Ereditario Leka II Zogu degli Albanesi.

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A Real Sociedade da Beata Maria Cristina de Sabóia, Rainha das Duas Sicílias, tem o prazer de convidar confrades, amigos e simpatizantes para a cerimónia de bênção da efígie sagrada de sua patrona pelo mestre Elio Corrao, que será realizada em 17 de Novembro de 2017 às 15H30 na Capela de Maria Santíssima della Soledad na Piazza della Vittoria, 10 em Palermo.
A cerimónia terá lugar na presença de SAR Dom Duarte de Bragança, Duque de Bragança, Chefe da Casa Real de Portugal, acompanhado por SAR Dona Isabel de Bragança (foto), Duquesa de Bragança, e SA Dona Maria Francisca de Bragança, Infanta Portugal; por SAIR a arquiduquesa Mónica de Habsburgo, princesa da Hungria, duquesa de Santangelo, SAIR arquiduque de José Carlos de Habsburgo, príncipe da Hungria; por SAR Príncipe Yuhi VI, chefe da Casa Real do Ruanda; e por SAR o Príncipe Elder Leka II Zogu dos albaneses.
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O IMPERADOR DA NOSSA LÍNGUA SOBRE O QUE MOVE A NP (NOVA PORTUGALIDADE)

Foto de Nova Portugalidade.


"Enquanto Portugal teve homens de "havemos de fazer" (que sempre os teve) não tivemos liberdade, não tivemos reino, não tivemos coroa. Mas tanto que tivemos homens de "quid facimus" (que fazemos), logo tivemos tudo." 

Padre António Vieira


SAUDOSISMO E PATRIOTISMO COMO CONCEITOS DISTINTOS

Foto de Nova Portugalidade.

Façamos uma Portugalidade construída e em construção:
Saudosismo e Patriotismo como conceitos distintos 

Muitas vezes, quando alguém se refere à Nova Portugalidade, identifica-a como saudosista, como um grupo de homens presos ao passado pelas saudades que têm das colónias portuguesas. Um saudosista é alguém que se agarra ao passado, que critica constantemente o presente e que não quer aceitar a evolução natural dos tempos. Vive a pensar na grandeza dos séculos volvidos rejeitando todos e quaisquer ideais contemporâneos. 

Um patriota é alguém que defende a sua Pátria. Não que esta seja melhor ou superior a todas as outras nações, mas porque esta é de grande valor, porque formou grandes vultos e porque assumiu, no caso português, o papel de se expandir por várias partes do globo. 

Deste modo, a Nova Portugalidade assume um papel patriota. Defendemos uma Pátria, uma cultura, uma história, um povo e uma língua pluricontinental que une em fortes laços os desdentes lusíadas.

Não queremos os territórios ultramarinos de volta, não queremos excluir qualquer tipo de raça, nem nos queremos afirmar como a melhor nação da Europa. É também de frisar que, ao longo da História, quer enquanto Reino quer enquanto República, Portugal nunca se auto-denominou Império, e como tal não somos nós que o vamos "reerguer" com as nossas "ideias imperialistas". Apenas queremos lutar pela manutenção do legado construído pelos nossos ascendentes, e como portugueses e patriotas que somos, não podemos deixar perder a presença portuguesa, não só nas ex-colónias como também em todos os locais onde essa presença ainda existe e deve ser mantida, pela importância que representa para a união e alegria dos povos.

O patriotismo não é uma coisa má nem deve ser vista como uma visão ou ideia conservadora. É o amor à bandeira, ao país dos nossos pais e avós que nos viu crescer, e ao valor da grei e de tudo o que ela para nós simboliza. Ser nacionalista e patriota como Camões, que também não era retrógrado nem conservador, mas que cantou os feitos dos portugueses e a monumentalidade da Portugalidade como ninguém, fazendo-a levar às maiores bibliotecas e aos ouvidos dos cidadãos do mundo.

A Portugalidade foi algo construído por Portugal, e como tal deve continuar a ser mantida, com especial compromisso pelo país que a criou. Se a Portugalidade foi o nosso passado porque não pode ser o nosso futuro? Há quem tenha vergonha do Império construído; somos acusados de ter explorado, maltratado e usufruído sem respeito as terras d'além mar. Mas construímos. Edificámos. Civilizámos. Todos as nações têm os seus prós e contras. Mas agora cremos que o que realmente interessa é a preservação desta mesma espiritualidade magnífica que une e irmana homens de origens tão distintas a uma marca identitária única. A Portugalidade pode ser o futuro se houver boa vontade e empenho para continuar a erguer tudo o que é nosso e tudo o que a lusofonia engloba. A Portugalidade já não está em decadência; a Portugalidade está viva e pronta a continuar erguida, à espera e receptiva a todas as medidas de proteção, de ajuda e de aproximação que nós, homens da Portugalidade, poderemos contribuir.
Haja o Quinto Império!

Tomás Severino Bravo

Na fotografia, Pico das Cruzinhas em obras de restauro, no Monte Brasil, Ilha Terceira

FOTOGRAFIAS DO ROTEIRO REAL NA QUINTA DOS MARQUESES DE ALEGRETE

Foto de Real Associação de Lisboa.

Foi concorrida a sessão do passado Sábado dia 11 de Novembro dos Roteiros Reais, que reuniu mais de trinta nossos associados numa visita à Quinta Alegre na Charneca do Lumiar, guiada pelo nosso associado Joel Moedas Miguel. Após um minucioso processo de restauro, a Santa Casa da Misericórdia, sua nova proprietária, promete reabilitar este excelente exemplar da arquitectura e das artes decorativas do séc. XVIII.

Foto de Real Associação de Lisboa.

Foto de Real Associação de Lisboa.

Foto de Real Associação de Lisboa.

Foto de Real Associação de Lisboa.

Foto de Real Associação de Lisboa.

Foto de Real Associação de Lisboa.

Foto de Real Associação de Lisboa.

Foto de Real Associação de Lisboa.

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